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20 de Maio de 2018

Jerusalém, uma experiência histórica que transcende à religiosidade

Conheça o tour histórico pelas crenças e cultura de Jerusalém, capital de Israel.

Portão de Jaffa, principal entrada a Antiga Jerusalém

Aos viajantes que estão programando uma rápida visita à terra santa, Jeusalém, recém nomeada capital de Israel é o destino perfeito para os amantes de história, sobretudo para aqueles que se interessam pelo viés religioso, já que foi o berço de várias doutrinas praticadas e disseminadas até hoje.

Jerusalem em nada se compara à antiga capital de Israel, Tel Aviv, cidade litorânea a uma hora de distância dali. Quando se viaja de uma cidade até a outra, temos a impressão que estamos quebrando a barreira do tempo, saindo de uma cidade moderna, de vias largas, limpa e organizada, para uma cidade mais caótica e abandonada, onde o comércio desordenado acontece em ruas estreitas e em meio a construções milenáres que ali se encontram. Esta diferença sobretudo se faz notória ao se entrar no que se conhece como “Jerusalém Antiga”, uma sub área de Jerusalem completamente cercada por muralhas que contemplam 4.018 metros de extensão, 34 torres de vigia e oito portões de entrada. Basicamente tudo aquilo que conhecemos quando pensamos sobre Jerusalém se encontra dentro destes muros, da mesma forma como todos os símbolos que nos fazem lembrar do Rio de Janeiro estão localizados na Zona Sul.

Uma coisa que deve ser dita de antemão é que a maioria dos sitios históricos que existem em Jerusalém e que falaremos nesta matéria são suposições dos lugares em que realmente os eventos teriam ocorrido. Não há certeza, por exemplo, de que o túmulo de Jesus e o lugar da crucificação tenham sido efetivamente os lugares em que aqueles eventos aconteceram. Nas escrituras da bíblia é dito que Jesus foi crucificado numa região alta e montanhosa e sepultado em um local de terra firme, porém, quando visitamos a “Jerusalém Antiga”, notamos que estes dois lugares possuem exata distância de apenas 25 metros entre si, o que seria inviável na prática. Mesmo não tendo certeza sobre a real localização dos fatos, a grande beleza em se visitar tais lugares históricos em Jerusalém é presenciar a emoção e a fé daqueles que ali estão. Não é incomum você estar cercado de pessoas chorando, em estado de oração profunda, a energia de todos os lugares, independentemente da veracidade dos fatos, é realmente emocionante até para os não religiosos.

Santo Sepulcro, lugar onde o corpo de Jesus teria sido deixado após a crucificação

A cidade antiga pode ser dividida em quatro grandes bairro que se definem como: muçulmano, armênio, católico e judeu. Estas divisões trazem uma noção do quão extremo é a diversidade cultural daquela região. Existem oito grandes portões de entrada que dão acesso à Antiga Jerusalém, curiosamente existe um nono portão que nunca foi aberto e que aguarda a chegada do Messias para que possa ser utilizado.

O portão mais famoso para entrar na Antiga Jerusalém é o Jaffa Gate, que se inicia na área católica da desta região. Lá é possível seguir o percurso da Via Dolorosa, que enumera as 14 estações do caminho por onde Jesus teve que percorrer até ser crucificado. Neste caminho é possível encontrar diversos pontos interessantes, como a igreja de St Anne, que teria sido construída no mesmo local onde os avós de Jesus, Ana e Joquim, teriam dado à luz a Maria.

Igreja de St Anne, construída no local onde Maria teria nascido.

As últimas estações da Via Dolorosa culminam na Igreja do Santo Sepulcro, datada a sua construção em 326 d.C e abriga três pontos importantes da história católica: o túmulo de Jesus, o local da crucificação e a pedra onde o corpo de Cristo teria sido deitado após retirado da cruz.

Sem dúvidas a Igreja do Santo Sepulcro é o ponto máximo para quem é cristão, há uma grande fila de pessoas para entrar no túmulo onde o corpo de Jesus teria sido deixado, túmulo este que foi recentemente restaurado em 2017. A visita ao tumulo é relativamente rápida, entra-se em pequenos grupos durante um breve momento, suficiente para se fazer uma prece ou abençoar objetos sob o túmulo. É estritamente proibido tirar fotos lá dentro, o local é de muita emoção e provavelmente o climax de todo católico que visita a Antiga Jerusalem.

No primeiro andar da igreja temos o suposto local da crucificação, é possível observar um altar principal com uma figura do Cristo crucificado e estruturas de vidros que exibem as rochas naturais daquela local. Uma outra fila se forma de pessoas que desejam um instante debaixo do altar de forma similar como ocorre no túmulo.

Local onde Jesus teria sido crucificado dentro da Igreja do Santo Sepulcro

Saindo do bairro católico, chegamos rapidamente no Muro das Lamentações, o único vestígio do antigo Templo de Herodes da Jerusalém original. É a parte que restou de um muro de arrimo que servia de sustentação para uma das paredes do Templo original que foi destruído pelo romanos no ano 70. Ao contrário dos outros locais que são supostamente verdadeiros, o Muro das Lamentações é comprovadamente um dos locais mais antigos e intactos do que sobrou da Jerusalém de outrora. Hoje, ele é cultuado como o recanto mais sagrado do Judaísmo, pois é o último vestígio do segundo templo judaico, por isso existe uma presença massiva de Judeus ortodoxos que permanecem durante horas em pé em frente ao muro fazendo suas orações de forma fervorosa. O muro também serve como fonte de pedidos para muitos fiéis, que escrevem seus desejos em pedaços de papel e depositam em frestas do muro.

Muro das Lamentações na parte judaica da Antiga jerusalém

Vale também indicar o tour subterrâneo que acontece abaixo do Muros das Lamentações, este passeio é pago, porém te dá a chance de descobrir o que o tempo tratou de enterrar e que tem sido fruto de novas descobertas a todo momento. Neste tour é possível se ver detalhes da Jerusalém de antigamente, como o piso original da época e a estrutura da cidade da época. Todo o passeio é feito em inglês através de um guia com um pequeno grupo.

Tour subterrâneo no Muro das Lamentações

Por trás do Muro das Lamentações está o Domo da Rocha, um dos pontos mais famosos da Antiga Jerusalém e que é possível ser visto quase de todo lugar devido a sua altura e esplendor.Para ir aos arredores do Domo da Rocha (que pertence ao bairro muçulmano) é necessário uma grande e rigorosa inspeção de segurança, e que mesmo assim não permite a não muçulmanos a entrada no templo, de forma que resta apenas admira-lo do lado de fora.

Saindo das muralhas da Antiga Jerusalém pelo portão Dung, recomenda-se terminar sua visita no Monte das Oliveiras, lugar onde Jesus teria sido tentado pelo Diabo em seus últimos dias. Há quem não tenha disposição física para se subir o grande monte a pé e costumam pedir algum transporte privado até o topo para ir descendo a pé, mas, para aqueles que possuem uma energia extra, a subida pode ser bastante proveitosa, principalmente se for parando aos poucos nas diversas igrejas que existem em seu caminho, entre elas a Igreja de Todos os Santos e Igreja de Maria Madalena, que guarda em seu porão o local onde Maria Madalena teria morrido e seu túmulo. Durante o percurso, ainda é possível visitar a Capela da Ascensão, local onde Jesus teria ascendido aos céus, e finalizar a visita com a melhor vista de Jerusalém do topo do Monte das Oliveiras. Lá do alto é possível se ver toda a Jerusalém Antiga entre seus muros, assim como a Palestina que está logo ao lado fazendo divisa com Jerusalém.

Vista panorâmica do topo do Monte das Oliveiras durante o entardecer

Independente de sua religião, Jerusalém oferece um tour histórico que poucos lugares no mundo oferecem, cada passo dado é a oportunidade de se descobrir um novo sítio histórico ou usufruir de uma beleza natural única desta região rochosa e árida, que apesar de todos os conflitos pelo controle da região, também nos trás a pluralidade de crenças e culturas convivendo em harmonia em um só lugar.




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