Celebração da herança africana, roteiro conhecido como Pequena África faz turista viajar por circuito histórico e arqueológico no centro do Rio de Janeiro. Do Largo de São Francisco da Prainha até o Cais do Valongo, são exibidas passagens marcantes do tráfico de africanos escravizados no Brasil.  

Durante nossa última viagem ao Rio de Janeiro, cujo objetivo foi conhecer alguns dos mais novos hotéis da cidade maravilhosa, ficamos hospedados no Belga Hotel, que tem uma localização privilegiada a poucos passos do corredor histórico e cultural da cidade. Situado numa construção tombada de fachada elegante totalmente restaurada – que data do início do século passado – o hotel é perfeito para turistas que procuram por uma opção de hospedagem mais exclusiva, com design e fácil conexão às principais atrações do agora revitalizado centro do Rio de Janeiro. Uma das novidades é o roteiro chamado de “Pequena África”, um walking tour (passeio guiado a pé) que percorre, em aproximadamente 1 h e 30 minutos, os locais que mantêm registros (alguns até recém descobertos) do tráfico negreiro e as profundas heranças que escravidão deixou em solo brasileiro. O que encontramos pelo caminho foram sítios arqueológicos, belas paisagens que reconstroem a memória do “Rio Antigo” e informações preciosas que valem (e muito) por uma aula de história.

Sítio Arqueológico Cais do Valongo na zona portuária do Rio de Janeiro. Uma das paradas do “walking tour” chamado de “Pequena África”.

Belga Hotel Rio. A poucos passos do novo roteiro histórico e cultural “Pequena África”

 

LARGO DE SÃO FRANCISCO DA PRAINHA

Conhecido popularmente como Largo da Prainha, é aqui – nos arredores da Praça Mauá – onde se inicia nosso roteiro a Pequena África. Formado por uma praça circundada por um casario do Século XIX, o local já fora uma praia onde o mar batia nos muros da Igreja de São Francisco da Prainha, daí a origem do nome. O largo – hoje uma região com comércio, bares e algumas residências – funcionou como importante ponto de venda de escravos da região do Valongo.

A estátua de Mercedes Baptista, ícone da dança Afro no Brasil

 

No centro da praça, que beira o Morro da Conceição, o destaque é a estátua de Mercedes Baptista, ícone da dança Afro no Brasil e primeira bailarina clássica negra brasileira. Além dos casarões históricos do entorno, hoje a região também é conhecida por ser o reduto do tradicional bloco de carnaval Escravos da Mauá, patrimônio cultural carioca criado em 1993, que faz parte do Circuito do Samba e cujo nome remete à tradição afro-carioca do Bairro da Saúde.

O Largo da Prainha. Era aqui que, antes da construção do porto, o mar batia próximo ao muro da Igreja de São francisco da Prainha

 

O Restaurante Angu do Gomes – elevado a patrimônio cultural carioca e cujo prato mais famoso é angu cremoso coberto por carne ao molho – é também um dos destaques do Largo da Prainha.

O Restaurante Angu do Gomes é uma das opções gastronômicas no Largo da Prainha

 

PEDRA DO SAL

Seguimos para a Pedra do Sal, ponto de resistência, celebração e encontro dos negros. Localizada no Morro da Conceição e bem próximo ao mar, era aqui que havia um ponto de embarque e desembarque do sal importado de Portugal, muito utilizado na conservação de carnes e na fabricação de couro. Hoje no local acontecem animadas rodas de samba, como do Grupo Roda de Pedra e outros eventos culturais. Dizem alguns historiadores que foi aqui – aos pés dos degraus esculpidos pelos negros – que o samba nasceu.

Pedra do Sal. Local onde o sal era descarregado das embarcações.

O local é circundado por casario colorido e a histórica ladeira da pedra

Subida na ladeira da pedra

Vista do alto da ladeira da pedra. Entorno tem construções que datam do período colonial

 

JARDIM SUSPENSO DO VALONGO

Subimos para uma das passagens mais atrativas do roteiro Pequena África no alto do Morro da Conceição: o Jardim Suspenso do Valongo. Inaugurado em 1906 e projetado pelo arquiteto-paisagista Luis Rey, é tipo um mirante inspirado nos parques franceses do século XIX. Nele encontramos réplicas das estátuas Minerva, Marte, Ceres e Mercúrio, que outrora decoravam o Cais da Imperatriz.

Jardim Suspenso do Valongo aos pés do Morro da Conceição

 

Do alto do Jardim Suspenso do Valongo, feito com uma técnica que usa concreto armado para imitar a natureza, é possível avistar o que eram as casas de engorda, barracões onde os escravos recém-chegados eram acomodados até ganharem peso, de modo a valorizar seu preço no mercado. Nesta área também havia mercados onde os africanos escravizados eram expostos aos potenciais compradores.

Vista do alto do Jardim Suspenso do Valongo: Praça dos Estivadores (Largo do Depósito)

 

Para o nosso guia Leandro Machado da Compartilhe Turismo, o Jardim Suspenso do Valongo simboliza na verdade importantes traços do tráfico negreiro que a história oficial buscou apagar da memória nacional.

Nosso guia Leandro Machado da Compartilhe Turismo

Réplicas das estátuas Minerva, Marte, Ceres e Mercúrio.

 

CAIS DO VALONGO E DA IMPERATRIZ

Redescoberto durante as obras para revitalização do Porto Maravilha, o Cais do Valongo e da Imperatriz é hoje um museu à céu aberto que merece a visita no roteiro histórico e cultural do Rio de Janeiro. Escavações arqueológicas na região portuária trouxeram à superfície importantes vestígios que ajudam a compreender ainda mais as dimensões do intenso tráfico negreiro que ocorreu no Brasil entre os séculos XVI e XIX.

O Cais do Valongo e da Imperatriz representa a chegada dos africanos ao Brasil

 

Calcula-se que em torno de 500 mil africanos escravizados tenham passado pelo antigo cais de pedra, fazendo do Valongo a principal porta de entrada do tráfico negreiro no país. Em 1843, o cais passou por uma requintada remodelação a fim de receber a noiva do Imperador D. Pedro II, Teresa Cristina Maria de Bourbon, mudando o nome para Cais da Imperatriz.

Vista do Sítio Arqueológico do Cais do Valongo e da Imperatriz na região portuária do Rio de Janeiro

 

Atualmente o Cais do Valongo é candidato na Unesco ao título de Patrimônio da Humanidade. Esperamos que o merecido reconhecimento faça deste lugar – que foi a maior transferência forçada de população escravizada da história – uma das paradas obrigatórias para quem visita a região portuária do Rio.

 

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